gptts

Primeiras Tese e Dissertação defendidas

    24/02/2025
         
   


Em dezembro de 2024 e fevereiro de 2025, foram defendidas as primeiras Tese de Doutorado e Dissertação de Mestrado do GPTTS, vinculadas ao PPGSOL da UnB. As duas estão inseridas nas reflexões deste grupo de pesquisa e abordaram diferentes dimensões do trabalho em plataformas digitais. Os dois trabalhos foram orientados pelo prof. Ricardo Festi (UnB).

Tese de doutorado:

PARA ALÉM DE UMA RACIONALIDADE (NEO)LIBERAL: Microempreendedorismo Individual e Plataformas Digitais de Trabalho

Autoria: Raphael Santos Lapa

Link para a tese

A defesa contou com a participação dos professores Sadi Dal Rosso (UnB), Flávio Lima (Unicamp), Jacob Lima (Ufscar) e João Aerosa (CICS.NOVA, Portugal). O último participou na condição de Coorientador da tese e supervisor em Portugal do estágio de pesquisa “sanduíche” de Raphael Lapa.

Dadas as condições objetivamente precárias em que determinados conjuntos de
trabalhadores estão inseridos, como o espírito do nosso tempo mobiliza conceitos, afetos e
valores de modo a justificar um estado de coisas ordenado? É com essa indagação no
horizonte que essa pesquisa se desenvolve. Dadas as reestruturações produtivas desde a
década de 1970 e as fronteiras mais recentes de novas formas de trabalho, foram abordados
dois grupos de trabalhadores: os microempreendedores individuais e os motoristas de
aplicativo. Para o objetivo da análise, foram revisitados os conceitos de liberdade positiva
e negativa desde o liberalismo clássico, ou seja, como o estar livre se traduz nessa dupla
condição do trabalhador que pretende alçar a autonomia de fazer o que quer, ao tempo em
que entende sua condição material a partir de uma relação de causa-efeito advinda da
contínua interferência de atores externos. Além disso, avançou-se para compreender que as
novas roupagens do liberalismo clássico se traduzem especialmente em uma
deslegitimação dos espaços públicos de disputa, ou seja, no sentimento de desconfiança de
qualquer institucionalidade ou agrupamento coletivo. É sob esse palco que o
neoliberalismo se desenvolve enquanto elemento de justificação, ou seja, desde uma
movimentação de aspectos individuais como autonomia e responsabilidade até a
desconfiança dos aspectos coletivos de disputa. Observar duas categorias aparentemente
distantes permitiu concluir o quanto que os elementos de justificação se ancoram
profundamente nessa dupla dimensão de liberdade. Ou seja, os fenômenos de
empreendedorismo individual assim como o de plataformização digital do trabalho, além
de seus elementos mais evidentes de contato, carregam uma coesa forma de legitimar a
situação de um trabalhador em situação de precariedade pela via da transformação de
determinados valores em valores do bem comum. De tal forma, os diversos instrumentos
de legitimação e justificativa que perpassam os discursos de liberdade, responsabilidade e
justiça se condensam em valorações morais que são elevados ao status de valores que
devem ser almejados por todos

Dissertação de Mestrado

“Meu capacete já viu muitas lágrimas”: o trabalho feminino plataformizado a partir das experiências do coletivo Moto Brabas

Autoria: Kethury Magalhães dos Santos

Link para a dissertação

A defesa contou com a participação das professoras Tânia Passarelli Tonhati (UnB) e Claudia Mazzei Nogueira (Unifesp) como parte da banca avaliadora.

O presente estudo buscou tornar visíveis as histórias de trabalhadoras que atuam no ramo de entregas de alimentos e mercadorias por meio das plataformas digitais no Distrito Federal e no Entorno. Com o advento da pandemia da Covid-19, o trabalho desenvolvido por entregadores/as por aplicativo se tornou essencial no Brasil, desencadeando uma série de estudos sobre o tema. No entanto, as dinâmicas da divisão sociossexual e racial do trabalho presente no na economia de plataformas fez com que as mulheres fossem invisibilizadas nas notícias, pesquisas e discussões. Diante da escassez de estudos sobre as entregadoras no Brasil, esta pesquisa focaliza a população feminina que compõe a categoria. Durante o trabalho de campo, conhecemos as integrantes do grupo “Moto Brabas”, criado em um grupo de Whatsapp em meados de 2023, e direcionamos nossos esforços para investigar os perfis, as especificidades que atravessam a profissão e as condições em que este trabalho ocorre. Para alcançar os objetivos da pesquisa, utilizamos ferramentas da pesquisa qualitativa de cunho etnográfico, com dados coletados por meio de entrevistas em profundidade. A análise e a discussão dos dados foram embasadas nas pistas interpretativas desenvolvidas no subcampo da Sociologia do Trabalho e dos Estudos de Gênero. Os resultados apontam para uma predominância de mulheres negras e periféricas, que, em sua maioria, enfrentam desafios relacionados aos atributos sociais que as marginalizam, obstáculos de acesso à cidade, além das opressões de classe, raça e gênero. Ainda assim, as Moto Brabas construíram uma rede de solidariedade feminina como forma de articulação política para lutar por seus direitos e por melhores condições de trabalho em uma atividade que, para muitas, é a única ou principal alternativa de renda.

Registros:

Momento da defesa de Raphael Lapa

Momento da defesa de Kethury dos Santos


Deixe um comentário